quarta-feira, 26 de maio de 2010

Cenários peculiares

"Sistema Renina-Angiotensina". Pois bem, foi este o mote que me fez atingir o auge do desespero hoje de manhãzinha numa das minhas aulas. Confesso que, inicialmente, até me estava a sentir um bocado mal por ter optado, mais uma vez, por apenas ouvir a professora falar sem tirar apontamentos. Mas depois olhei em volta e reparei que não estava completamente sozinho... Não é que não estivesse ninguém a escrever nada, porque estavam! Mas faziam-no com um esforço tão vincado que metia dó.
A cabeça da Sara tendia a cair para o meu ombro esquerdo. Os ouvidos da outra Sara já estavam quase apenas em busca da patacoada com mais piada. A Maria balanceava-se para a frente e para trás, com ou sem o suporte da mão no maxilar, sem vacilar, de forma a evitar uma visita anunciada do João Pestana. O Rui, de perna cruzada, ia coçando a cabeça na esperança de que das duas uma: ou a Oráculo se calava, ou o relógio decidia-se a dar uma volta completa em menos de um piscar de olhos (que, na manhã de hoje, demoravam quase dez minutos em todos nós, tal era o rejubilo da alma). O Henrique? De caderno aberto, sim. Mas já nem escrevia nada, não valia a pena. O João Mário trocara o riso inicial pela apatia, tentando não desfazer o seu ar de "Eu vou estar atento. Eu estou atento! Eu tenho que estar atento...". A Filipa e o Miguel, hoje quase nem os ouvi, porque eles sim estavam concentradinhos. (Haja alguém! :p)
Quanto a mim, meu amigos, bem tentava escrever alguma coisa decente (falo deste texto, claro), mas tendo a palavra "rim" a entrar-me periodicamente pelo ouvido dentro, confesso que não foi fácil. Ah! Mas o melhor... O melhor de tudo era que lá estás, ao fundo da sala, alguém teimava em dar-nos música. Numa sinfonia não muito bem ensaiada e, arriscaria eu dizia, pouco harmoniosa, eram sucessivos os pujantes assôos (confesso que tive que ir pesquisar como se escrevia isto) de nariz... Definitivamente, o melhor acompanhamento para uma aula em que a Filtração Glomerular do rim foi rainha e passada no seio do complexo cenário que vos descrevi atrás, só poderia ser mesmo este: alguém com as narinas provavelmente em limpeza mensal - sim, só podia, tamanha era a voluptuosidade sonora (e nem imagino quantitativa') de muco a sair rumo a um ou dois ou três ou vinte e sete pobres lenços de papel...
Posto tudo isto, eis que surge a derradeira das surpresas: "E depois...oh, e depois nada! Bom fim-de-semana.". Até aqui tudo normal, não fosse faltar UMA hora para o final da aula! :o Deus ouviu as preces de todos nós! *oiçam os cânticos aleluiáticos* Chegou ao nosso silêncio mais recôndito e profundo, interpretou-o e enviou-nos a salvação...
Foram estrelas, foguetes, purpurinas.
E ninguém se atreveu a dizer "Mas professora, ainda falta uma hora de aulaaa...", porque isso seria criar um grupinho de 50 e alguns inimigos e os tempos estão de crise, não há como manter uma manada dessa envergadura.
E lá saímos... Como se os nossos rostos fossem uma sandes de surpresa barrada com alegria...

(Que raio de metáfora mais infeliz para terminar o texto! -.-')


P.S.: Este texto não é pura ficção. E qualquer coincidência de nomes ou factos é, efectivamente, propositada! Não me responsabilizo pelas susceptibilidades feridas. Obrigado.


"Hey teacher, leave the kids alone!"

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Já não tenho idade!

Decididamente, há coisas para as quais já não tenho idade.
Paixões platónicas assolapadas e sonhos com gomas são, sem dúvida, duas delas.
Aos 19 anos de idade, dou por mim a acordar babado, umas vezes literalmente, outras nem tanto! E confesso que isso me baralha um bocadinho o sistema.
Ora vejamos...
Um dia dei por mim, dentro de um dos comboios que diariamente me leva em viagem do Porto para casa, a olhar para um bando de miúdos (como se eu tivesse imensa altivez para os tratar desta forma!) reunido em circulo fechado e com o olhar indesviável das suas mãos. Pareciam verdadeiramente adictos a uma qualquer sensação presa ao sentido do paladar que só uns com os outros partilhavam. De repente um deles desvia-se e eis que revelam o seu segredo: gomas! Muitas gomas. Sacos e sacos de deliciosas gomas que, cada um, tinha num saquinho na sua mão. Para além de sentir um ligeiro alívio (dado que as crianças não estavam a consumir cenas esquisitas - pelo menos não tão esquisitas como as que inicialmente poderia ter pensado), senti que na minha parva cara se esboçou um sorriso mais parvo ainda, acompanhado por um parvo brilho nos olhos que evidenciou a minha parva saudade de comer gomas com os meus colegas de secundário...
Mas o comboio arrancou e, tirando o facto de ter passado o resto da viagem a desejar as malditas gomas, chegando a casa afiambrei-me à bela da sanduiche deixada pela mamã e lá me esqueci das ditas cujas doçuras.
Na verdade, o meu subconsciente traiu-me. Dias depois, num raro e soturno abrir das minhas pálpebras durante a noite, eis que movimento a cara para o lado esquerdo da almofada e SPLASH...toma lá com baba na cara!!! Pois é meus amigos, tinha acabado de acordar de um sonho recheadinho de gomas. Gomas grandes. Enormes, arriscaria. Cheias de açúcar, de todas as cores, de todos os sabores... Meu Deus, uma parafernália inimaginável. E sim, é verdade, eram tantas e tão boas, que cheguei ao ridículo de as desejar tão intensamente, ao ponto de libertar fluídos intracorporais nocturnos (salvo seja!) pela boca...
Podia ficar por aqui, podia, mas... É, vá, fica mesmo por aqui a história das gomas!
Não vá eu afastar logo com o primeiro post, possíveis leitores deste meu recente blog...
Deixo-vos apenas um conselho: Pratiquem yogga, alinhem os chakras, eduquem a mente. Porque um dia são gomas, mas noutro dia qualquer nunca se sabe...

"Lollipop" (by Mika)